24/08/2020 16:54:07 B3 pediu explicações

CVC: Graves irregularidades são detalhadas

[Solers]

A B3 enviou à CVC (B3: CVCB3) ofício questionando as irregularidades encontradas pela empresa em 2019, medidas tomadas e que serão tomadas acerca do assunto.

Em resposta, a CVC esclareceu, relembrou e detalhou as irregularidades constatadas:

As contas contábeis operacionais da Companhia eram reconciliadas de maneira indevida, sem a solução de eventuais pendências identificadas, que eram alocadas em contas de balanço transitórias para revisão futura;
A interface entre os sistemas operacionais e contábeis não era mantida atualizada com as modificações implementadas nos sistemas operacionais;
Os ajustes contábeis preliminares realizados nos fechamentos de períodos mensais não eram adequadamente revisados no contexto da apuração contábil ao final de cada trimestre.

A CVC ainda afirmou que foram encontrados:

  • Indícios que relatórios suporte extraídos dos sistemas de TI possam ter sido manipulados e modificados para expurgar custos;
  • Indícios que ajustes manuais em determinadas contas contábeis efetuados sem o suporte documental adequado possam ter sido intencionalmente manipulados;
  • Evidências de omissão das deficiências identificadas;
  • Evidências de ocultação de certas informações, inclusive dos auditores externos da Companhia.

A Companhia afirmou ter iniciado Plano de Ação para "fortalecer sua governança corporativa e adequar seus sistemas, processos e 2 controles relacionados à preparação de suas demonstrações financeiras". Os principais aspectos do Plano são:

  • Manutenção dos controles e qualidade de conciliação e análise contábil implementados para a elaboração das demonstrações financeiras de 2019-12-31 como padrão mínimo para os períodos subsequentes;
  • Desenvolvimento de soluções e automações para que os controles sejam efetuados tempestivamente e as análises e as correções eventualmente necessárias também ocorram dentro dos prazos requeridos;
  • Definição de responsabilidades pelas atividades e implementação de processo para avaliar periodicamente se os controles-chave foram adequadamente efetuados, revisados e aprovados;
  • Fortalecimento das estruturas e processos de governança corporativa e integridade empresarial da Companhia (incluindo treinamentos, revisão de códigos e políticas e canais de denúncia), com o objetivo de assegurar os controles internos e conformidade processual da CVC, bem como mitigar riscos nas atividades da Companhia garantindo a aderência a leis, normas, padrões e regulamentos, incluindo a adoção dos novos requerimentos exigidos pelo Novo Mercado ao longo dos próximos meses;
  • Implementação de processo para gerenciamento, testes e implementações de modificações em sistemas operacionais, com avaliação completa de impactos em sistemas e informações financeiras;
  • Adequação das estruturas organizacionais, com recursos necessários para o atingimento dos objetivos do Plano, investimentos em qualificação técnica e profissional necessárias;
  • Alocação de equipe dedicada para desenvolver sistemas e processos financeiros em conjunto com o desenvolvimento de nova plataforma operacional digital.

O Plano de Ação da CVC engloba, além da formalização da Política de Gerenciamento de Riscos:

  • Criação de estruturas especializadas no controle de riscos;
  • Revisão de documentos e políticas corporativas;
  • Aprimoramento de suas práticas de governança.

No âmbito do Plano de Ação, a Companhia afirma estar trabalhando em parceria com assessores externos na formalização de Política de Gerenciamento de Riscos e elaboração de matriz corporativa de riscos.

Dentre as medidas pensadas e teorizadas, a operadora de viagens alegou que pôs em práticas, até o momento, as seguintes:

  • Reorganização da estrutura organizacional/diretorias do Grupo CVC com redução do número de reportes diretos e combinação de unidades de negócios e áreas operacionais;
  • Criação da Diretoria Executiva de Governança;
  • Início de revisão de riscos corporativos;
  • Projeto iniciado para redesenho de processos financeiros;
  • Contratação de executivo-chave de riscos e controles;
  • Criação de relatório para monitoramento sistêmico para transações de fraudes.

Ainda segundo a CVC, os diretores responsáveis pela elaboração das demonstrações financeiras nas quais foram identificadas as distorções não fazem mais parte da empresa.

O Conselho de Administração da Companhia deve avaliar a "conveniência e oportunidade" de tomar medidas em relação aos colaboradores a respeito dos quais foram identificadas evidências de ocultação das deficiências,  relacionados aos indícios de manipulação de resultados, bem como responsáveis pela elaboração das demonstrações financeiras nas quais foram identificadas as distorções diante dos fatos apurados.













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